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terça-feira, 26 de junho de 2012

Criação Mental - Continuação 16


Quarto requisito.
O quarto requisito é o de que o desejo seja moral e eticamente correto. Mais uma vez, vamos apelar para o nosso senso comum de moral e ética, evitando assim um longo discurso filosófico e psicológico a este respeito.
Cabe-nos apenas a ressalva de que não damos a moral e ética qualquer conotação puritana. Para nós, moral e ética são critérios de comportamento visando respeitar e salvaguardar o bem- estar e a segurança de outras pessoas, nas nossas relações com elas. A rigor, nada é moral ou imoral, nem ético ou contrário à ética, em si mesmo, de maneira absoluta. A moralidade e a boa ética de qualquer coisa assentam sobre considerações de motivação, circunstâncias e consequências, aplicações a cada caso específico. A motivação deve ser boa (não deve ser egoística e perversa, por exemplo), as circunstancias devem ser socialmente adequadas, e as consequências devem ser boas para outras pessoas envolvidas ou, pelo menos, não devem afetar sua segurança e seu bem-estar.


Quinto requisito.
Como quinto requisito, o desejo deve ser, se possível, altruístico. Isto é, a pessoa deve desejar beneficiar também outras pessoas, com o resultado de sua criação mental. Naturalmente, há desejos que são por natureza egocêntrica. Aqui convém estabelecermos uma diferença entre egocêntrico e egoístico. Vamos entender por egocêntrico o desejo que por natureza se refere diretamente ao ego do indivíduo, como é o caso do desejo de ter alguma coisa. Na conjuntura social atual, este desejo é considerado normal, moral e eticamente correto, apesar do seu caráter egocêntrico; mas não pode ser ao mesmo tempo completamente altruístico. Por egoístico vamos entender o desejo extremadamente egocêntrico, aquele que o indivíduo quer concretizar mesmo em detrimento do bem-estar e da segurança de outros e até através de danos ou prejuízos para eles.
Quanto ao desejo de ter alguma coisa, podemos torná-lo razoavelmente altruístico com a intenção sincera (não podemos enganar a mente cósmica) de compartilhar o bem criado com outras pessoas, respeitadas, é claro, o característico de nossa organização social, como o direito de propriedade. Em último caso, podemos até nos dispor a fazer algum outro benefício a alguém, paralelamente à aquisição do bem resultante da criação mental. O importante, aqui, é não nutrirmos a idéia absurda de estarmos "pagando" à mente cósmica pelo bem "recebido". Isso deve ser feito autenticamente, por verdadeiro altruísmo. Aliás, se formos relativa e razoavelmente altruístas em nossa vida de modo geral, não precisaremos nos preocupar muito com este detalhe.
Seja como for e qualquer que seja o mecanismo disso quanto às propriedades do campo cósmico, o fato é que a experiência tem demonstrado que desejos altruísticos levam a criações mentais mais eficazes e bem sucedidas.
Como isto é fascinante, ou pelo menos intrigantes, e é muito importante para a criação mental, vale a pena abrir aqui um parêntese, para tentarmos uma argumentação lógica e razoável a este respeito. Isto servirá para desencadear a reflexão do estudante neste particular, a fim de que ele se prepare individualmente (por trabalho e elaboração pessoal) para a atitude que deverá assumir nesta fase preliminar da criação mental. Assim sendo, podemos admitir que uma das propriedades do campo cósmico é a construtividade (as leis cósmicas são necessariamente construtivas). Podemos pensar em termos de um "princípio cósmico de construtividade", evidenciado no instinto e nos mecanismos de autopreservação de todos os seres vivos. Neste caso, a criação mental egoística ou má, no "caminho de cima para baixo" seria desfeita por interferência dessa propriedade do campo cósmico na mente da pessoa que seria prejudicada (se é que conseguiria percorrer o "caminho de baixo para cima"). Não devemos esquecer que o ser humano é manifestação do ser cósmico no campo cósmico e a mente humana é manifestação da mente cósmica. Não se trata, portanto, de algum ser paternal que estivesse considerando cada caso particular e formando juízos através de preceitos morais e éticos, a fim de "fazer justiça". Inversamente, a criação mental razoavelmente altruística e boa, no "caminho de cima para baixo" seria reforçada pela mesma propriedade na mente da pessoa que seria beneficiada (e, pelo menos logicamente, teria trânsito livre no "caminho de baixo para cima").

Continua.....

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