Quarto
requisito.
O quarto requisito é o de
que o desejo seja moral e eticamente correto. Mais uma vez, vamos
apelar para o nosso senso comum de moral e ética, evitando assim um
longo discurso filosófico e psicológico a este respeito.
Cabe-nos apenas a ressalva
de que não damos a moral e ética qualquer conotação puritana.
Para nós, moral e ética são critérios de comportamento visando
respeitar e salvaguardar o bem- estar e a segurança de outras
pessoas, nas nossas relações com elas. A rigor, nada é moral ou
imoral, nem ético ou contrário à ética, em si mesmo, de maneira
absoluta. A moralidade e a boa ética de qualquer coisa assentam
sobre considerações de motivação, circunstâncias e
consequências, aplicações a cada caso específico. A motivação
deve ser boa (não deve ser egoística e perversa, por exemplo), as
circunstancias devem ser socialmente adequadas, e as consequências
devem ser boas para outras pessoas envolvidas ou, pelo menos, não
devem afetar sua segurança e seu bem-estar.
Quinto
requisito.
Como quinto requisito, o
desejo deve ser, se possível, altruístico. Isto é, a pessoa deve
desejar beneficiar também outras pessoas, com o resultado de sua
criação mental. Naturalmente, há desejos que são por natureza
egocêntrica. Aqui convém estabelecermos uma diferença entre
egocêntrico e egoístico. Vamos entender por egocêntrico o desejo
que por natureza se refere diretamente ao ego do indivíduo, como é
o caso do desejo de ter alguma coisa. Na conjuntura social atual,
este desejo é considerado normal, moral e eticamente correto, apesar
do seu caráter egocêntrico; mas não pode ser ao mesmo tempo
completamente altruístico. Por egoístico vamos entender o desejo
extremadamente egocêntrico, aquele que o indivíduo quer concretizar
mesmo em detrimento do bem-estar e da segurança de outros e até
através de danos ou prejuízos para eles.
Quanto ao desejo de ter
alguma coisa, podemos torná-lo razoavelmente altruístico com a
intenção sincera (não podemos enganar a mente cósmica) de
compartilhar o bem criado com outras pessoas, respeitadas, é claro,
o característico de nossa organização social, como o direito de
propriedade. Em último caso, podemos até nos dispor a fazer algum
outro benefício a alguém, paralelamente à aquisição do bem
resultante da criação mental. O importante, aqui, é não nutrirmos
a idéia absurda de estarmos "pagando" à mente cósmica
pelo bem "recebido". Isso deve ser feito autenticamente,
por verdadeiro altruísmo. Aliás, se formos relativa e razoavelmente
altruístas em nossa vida de modo geral, não precisaremos nos
preocupar muito com este detalhe.
Seja como for e qualquer que
seja o mecanismo disso quanto às propriedades do campo cósmico, o
fato é que a experiência tem demonstrado que desejos altruísticos
levam a criações mentais mais eficazes e bem sucedidas.
Como isto é fascinante, ou
pelo menos intrigantes, e é muito importante para a criação
mental, vale a pena abrir aqui um parêntese, para tentarmos uma
argumentação lógica e razoável a este respeito. Isto servirá
para desencadear a reflexão do estudante neste particular, a fim de
que ele se prepare individualmente (por trabalho e elaboração
pessoal) para a atitude que deverá assumir nesta fase preliminar da
criação mental. Assim sendo, podemos admitir que uma das
propriedades do campo cósmico é a construtividade (as leis cósmicas
são necessariamente construtivas). Podemos pensar em termos de um
"princípio cósmico de construtividade", evidenciado no
instinto e nos mecanismos de autopreservação de todos os seres
vivos. Neste caso, a criação mental egoística ou má, no "caminho
de cima para baixo" seria desfeita por interferência dessa
propriedade do campo cósmico na mente da pessoa que seria
prejudicada (se é que conseguiria percorrer o "caminho de baixo
para cima"). Não devemos esquecer que o ser humano é
manifestação do ser cósmico no campo cósmico e a mente humana é
manifestação da mente cósmica. Não se trata, portanto, de algum
ser paternal que estivesse considerando cada caso particular e
formando juízos através de preceitos morais e éticos, a fim de
"fazer justiça". Inversamente, a criação mental
razoavelmente altruística e boa, no "caminho de cima para
baixo" seria reforçada pela mesma propriedade na mente da
pessoa que seria beneficiada (e, pelo menos logicamente, teria
trânsito livre no "caminho de baixo para cima").
Continua.....
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