O primeiro requisito.
A propósito do desejo, o
primeiro ponto ou requisito é que você deve tomar consciência
clara e segura do mesmo. Isto é, ante a pergunta, "que desejo
criar?", você deve chegar a uma resposta clara no sentido de
saber exatamente qual é a natureza do seu desejo, e segura no
sentido de ter certeza (sentir sem vacilação) de que quer de fato
que ele se realize na sua vida.
Com a sua inteligência,
você mesmo pode desenvolver as implicações deste primeiro
requisito da criação mental quanto ao desejo. Deve mesmo fazê-lo,
a fim de assimilá-lo por experiência e trabalho pessoal (a
experiência é o caminho para o verdadeiro conhecimento, aquele que
tem condição de aplicar com segurança e eficácia; fora disto, o
que se tem é informação, um importante passo preliminar, mas sem o
poder pessoal para realizar). Aliás, você deve agir assim para com
todos os requisitos e passos da criação mental. Você é
inteligente (ou não estaria interessado neste curso); o resto é
questão de trabalhar.
Em todo caso, vamos
evidenciar melhor este primeiro requisito, com um exemplo (faremos
isto sempre que possível).
Uma pessoa vive sozinha e sente um vago
desejo ter um companheiro (homem ou mulher, conforme o caso). Não
sabe bem se deseja casar, isto é, assumir um compromisso com vínculo
jurídico e todo o envolvimento próprio da situação de casamento.
A natureza do desejo não está definida, não está clara. Essa
pessoa não deve ainda tentar uma criação mental neste sentido.
Como providência preliminar, deve aproveitar momentos de folga ou
lazer para "pensar no assunto". Isto envolve pensar
propriamente, ou seja, analisar as várias possibilidades desse tipo
de desejo, quanto a seus interesses e suas conveniências. Além
disso, envolve também o abandono da mente a uma atitude ou um estado
passivo, com naturalidade, na intenção de sentir claramente a
natureza do desejo. Se o desejo não está claro, isto se deve a que
o impulso interno do indivíduo não está definido.
A racionalização
das possibilidades ajuda a necessária definição, fornecendo dados
ou elementos à elaboração interna (subconsciente) do problema, até
que o impulso possa se definir conforme a natureza ou estrutura
psíquica do próprio indivíduo e se manifestar à sua mente
consciente como um desejo claro. Isto é importante, porque assuntos
deste gênero não podem, ou pelo menos não devem ser resolvidos por
alguma "tabela lógica", com abstração dessa natureza ou
estrutura psíquica individual. É da vida de certo indivíduo que se
trata, e não da vida de um ser humano "médio" ou
hipotético. Definindo-se então o impulso interno, o indivíduo
poderá sentir claramente o desejo.
Suponhamos, então que a
pessoa do nosso exemplo sentiu claramente o desejo de casar (é de
fato isto que ela quer). Mas sente-se hesitante quanto à introdução
deste fato na sua vida. Por um lado, deseja realmente casar; por
outro lado, hesita ante a preocupação com as modificações que
isto traria ao seu modo de viver, etc. Então, seu desejo é agora
claro, mas ele vacila, não está seguro de que deve mesmo tomar
providências para casar. Do mesmo modo que para a definição clara
do desejo, deve adiar a criação mental enquanto trabalha para
alcançar a necessária segurança.
Neste ponto do curso,
estamos estudando os requisitos da criação mental quanto ao desejo
a ser por ela concretizado. Desde já, comece a se preparar para sua
primeira criação mental, como aplicação prática do curso. Para
isto, faça uma relação escrita de vários ou muitos desejos que
quer ver concretizados em sua vida. Não faça qualquer julgamento
dos mesmos nem se preocupe com sua viabilidade prática. Não se
"policie" quanto a esses desejos; escreva todos os que
vierem à sua mente (naturalmente, desde que você de fato os tenha).
E lembre-se de que esta lista é sua; você não terá de mostrá-la
a ninguém (é mesmo recomendável que a guarde num lugar seguro, de
modo que outras pessoas não a vejam e, portanto, não possam minar
sua segurança pessoal com observações negativas nem criticá-lo ou
zombar de você por causa de desejos que elas considerem reprováveis
ou "ridículos").
À medida que for estudando
os requisitos do desejo para fins de criação mental, vá riscando
(eliminando) os desejos que não satisfaçam esses requisitos. Em
alguns casos você poderá manter o desejo, mas deverá fazer um
ajuste na sua atitude em relação ao mesmo. O importante é que, no
final desta parte do curso, você tenha um desejo (mesmo que tenham
sobrado vários de sua eliminação) escolhido para sua primeira
criação mental.
Continua.....
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