Obs: Os nomes utilizados no caso abaixo são ficticios.
Jandira fora uma garota de sorte, conhecera Dário em sua
juventude, e desde o primeiro olhar reconheceram que foram feito um para o
outro. Começaram um namoro que logo acabou em casamento. Seu casamento não podia
ser melhor se entendiam em tudo, e muitas vezes as palavras até eram
desnecessárias, tamanha a afinidade entre os dois, tiveram um casal de filhos
que criaram e educaram com muito carinho. Dário tinha alguns anos a mais que
Jandira mas isto para quem os via se tornava imperceptível, pois nada
atrapalhava sua história de amor.
Mas como nada na vida é perfeito, mesmo tendo vivido
aproximadamente quinze anos juntos, em perfeita harmonia, vai que um belo dia
Dário se mostra enfermo, um desconforto estomacal que vinha sentindo de leve a
algum tempo a cada dia se faz sentir mais, até que resolve ir consultar.
O doutor lhe receita uns remédios que toma por algum
tempo e não obtém melhoras; retorna a consultar, faz exames; constata ulcera
estomacal, lhe é receitado uma serie de medicamentos e procedimentos
alimentares, que dão uma amenizada mas não resolve. Após vários retornos ao
médico é constatado câncer, que o começa a definhar pouco a pouco; Jandira, sua
amada esposa se coloca a seu lado se tornando sua enfermeira 24 horas por dia,
seu sofrimento é enorme, mas procura não apresentar seu estado de ânimo
procurando incentivar seu esposo na luta contra a doença. A doença se agrava e
ela não sai de seu lado noite e dia, até que tem que ser removido ao hospital em
um estão deplorável. Passados alguns dias internado, em que seu estado de saúde
piorava a cada dia, até que e uma certa noite, ouve um movimento no corredor,
enfermeiros apresados conduzem um homem gravemente ferido que passa pela porta
do quarto rumo a sala de operações, ao fechar a porta e retornar para dentro
constata que seu esposo havia morrido neste meio tempo.
Entra em desespero, seus familiares são avisados, é
feito o velório, consumado o enterro e Jandira volta a sua casa, que se tornou
vazia e sem nexo desde então, vivendo seus dias em uma profunda tristeza.
Diogenes sempre fora um rapaz folgazão, boa pinta e
muito ambicioso, mas tem que se reconhecer fora sempre muito trabalhador, se
esmerava o máximo e procurava ter lucro em todos os seus movimentos de
relacionamentos com pessoas, nunca fora destes tipos românticos, seus
relacionamentos afetivos sempre tinham cunho de interesse, e sempre dava
prioridade para moças mais promissoras e bem apresentadas, e em um desses seus
namoricos conheceu Cleusa, que não era uma garota de família rica, nem tão bela,
mas seus pais possuíam um pouco de terras e ainda um grande salão que se fazia
baile duas vezes por mês, com conjuntos musicais vindos de outras cidades e que
faziam sucesso no momento.
Nesta época Diogenes trabalhava em um empresa média da
região como simples funcionário, mas ambicionava o cargo de chefia, se esmerava
o máximo e procurava manter contato com os superiores de seu chefe toda vez que
podia.
Diogenes, estava sempre atento a tudo e a todos, e
percebeu que quando começou a ter abertura as religiões de cunho evangélico
também começou a se fazer presente as de cunho afro-religiosas, e no bairro onde
morava apareceu três de cunho afro, com os objetivos os mais diversos possíveis,
e ele tendo ouvido falar de pactos que se fazia para alcançar o poder e a
fortuna se achegou a que mais ia de encontro com seus interesses. Se apresentou
e disse que queria fazer parte desta determinada linha e os motivos de seu
interesse. Os dirigentes vendo também a possibilidade de tirar vantagem da
posição que se encontrava Diogenes, sendo um rapaz que nada se podia dizer de
mal, além de ser namorador e muito trabalhador lhe abriram as portas e ao longo
do tempo o iniciaram em todos os rituais da casa, lhes mostrando os caminhos do
bem e o caminho do mal. Mas como o objetivo maior dele era possuir dinheiro e
posição social acabou por fazer um pacto com seu “santo”.
Passado algum tempo Diogenes aos poucos vai conseguindo
aquilo que almeja; primeiro resolve casar com Cleusa, se achega mais a sua
família, faz amizade com todos, o que sempre conseguia com facilidade, começa a
participar dos eventos no salão de bailes e a lucrar com os serviços que se
propõe, tudo dentro de uma legalidade e honestidade aparente, em seu trabalho
consegue o cargo de chefia que tanto pretendia, e a cada dia negócios novos se
abrem a sua frente. Seu “guia” neste ínterim sempre lhe pedindo determinadas
oferendas que a cada dia que passa preocupa cada vez mais Diogenes, ele então
passa a negociar carros, comprar e vender, o que lhe dá um bom lucro; então
começa a comprar casas em boas condições para alugar, achou que não dava bom
retorno, nãos as vendeu mas começou a comprar chácaras, não muito grande nem
muito pequenas, em uma criava peixes, em outra bois para engorde, em outra vacas
leiteiras, até um ponto que sentiu que estava começando a preocupar aquelas
posses todas. Também o que mais preocupava era as obrigações que o “guia” lhe
impunha, tarefas estas que pessoas em sã consciência nunca faria, eram rituais
que deixaria insana qualquer pessoa de cabeça fraca ou facilmente
impressionável.
Naquela sexta-feira 13 de Agosto de 1999 aconteceria
fatos que levaria Diogenes a dar inicio a uma virada de direção em sua vida;
como era um dos que participava ativamente em todas as cerimônias de oferendas e
serviços religiosos que os frequentadores solicitavam, o que se efetuaria esta
noite nunca antes tinha visto nem imaginava que poderia acontecer, teriam que
entrar em um cemitério, violar o tumulo de uma pessoa que tivesse de algum modo
se suicidado, preparar em volta do tumulo o local, fazendo círculos, desenhando
estrelas de cinco pontas nos pontos cardeais, acender velas vermelhas e pretas,
colocar as oferendas previamente preparadas em determinados lugares dentro do
circulo externo, então ele teve que abrir o túmulo, retirar a cabeça do defunto
e entregar a mãe de santo que estava incorporada no circulo interno. Pois bem,
quando isto aconteceu, que a mãe de santo segurou a cabeça em suas mãos Diogenes
disse que ela deu um assovíu que parece que estremeceu todo o lugar, ela
rodopiou em um só pé, deu um salto e ficou equilibrada no alto da cruz do
túmulo. Os trabalhos se desenrolaram conforme o que o tal Centro havia
premeditado, e terminado o ritual, todos se retiraram em silêncio, cada um aos
seus lares, mas nesta noite Diogenes, não dormiu, nem na seguinte, nem na
seguinte...
Então depois de muito pensar, chegou para si a
conclusão que estava a beira da loucura, decidindo então dar um tempo em tudo
aquilo para poder por sua mente no lugar. Comunicou sua decisão a seus
superiores o que lhe disseram, tudo bem, mas que ele não podia mais se desligar
do Centro e nem se desligar de seu guia, porque ele o buscaria onde estivesse
para cumprir suas obrigações acertadas no trato. Diogenes então procurou ajuda
em Religiões Evangélicas, contando tudo que lhe acontecera sem nada esconder,
pois havia decidido que aquilo não servia de forma alguma a sua vida. Fez da
Igreja Evangélica uma trincheira onde procurava reunir forças para lutar contra
seu passado, mas os chefes da antiga Religião onde se encontrava não lhe davam
trégua o avisando do risco que corria e o que poderia lhe acontecer se não
atendesse as solicitações de seu guia, então lhe deram um prazo para seu retorno
até que coisas viessem a lhe acontecer como cobrança do proveito que havia tido
até então. Sumiram então e não voltaram a lhe procurar, Diogenes sentiu um
alivio e pensou, vou fazer de tudo para melhorar e procurar de todas as formas
me reformar.
Mas passado algum tempo e todos vendo sua mudança, e
também Diogenes vendo que todos os antigos amigos, e pessoas mais chegadas
também mudavam, ele então pensando que aquilo tudo era normal devido a sua
mudança radical, se espantou no dia que sua esposa chegou e pediu o divórcio,
ele então disse que iria pensar e lhe dar o retorno, então começou a pensar na
possibilidade, e a se dar conta que em todos estes anos quem cuidava da maior
parte das finanças era ela, e neste meio tempo ela tinha gasto muito dinheiro, e
as dividas eram muitas que ele teve que se desfazer de alguns bens para poder
paga os credores. Cleusa vendo a atuação do marido a vender bens para pagar as
contas, ficou muito desconfiada, pois ela com o tempo e com a mudança radical
que Diogenes apresentava já não o amava tanto, a ponto de já ter arrumado um
amante, que vendo a atuação de Diogenes, e tendo interesse que não fosse nada
vendido antes da separação para poder se apoderar de mais bens, conversou com
Cleusa e formaram um plano para que ficassem com tudo então foi ai que tudo
aconteceu.
Como Diogenes era sócio de seu sogro nos bailes
efetuados no salão e muitas vezes tinha que participar na organização, Cleusa e
seu amante contrataram alguns marginais para começarem uma briga dentro do salão
envolvendo Diogenes e o assassinassem de forma que parecesse acidental, e assim
aconteceu, dois deles começaram um briga perto de Diogenes o envolvendo no rolo
e enquanto os seguranças chegavam foram dados dois disparos um contra o outro
mas com Diogenes entre eles os dois disparos lhe acertaram, um no peito perto do
coração e outro no pescoço.
Diogenes desmaiou, todos correram e chamaram uma
ambulância, que chegou em menos de dez minutos, os dois que efetuaram os
disparos foram imobilizados pelos seguranças e entregues a policia.
Quinze minutos depois Digenes está indo direto para a
sala de cirurgia, Médicos correm, se preparam, e enfermeiros apressados carregam
Diogenes pelo corredor até a sala de cirurgia, enquanto passam uma porta se
abre, e uma mulher fica olhando o que está acontecendo, pergunta a um enfermeiro
que vem mais atrás o que houve, e ele lhe diz; o homem foi baleado levou dois
tiros.
Diogenes esteve 5 horas na mesa de cirurgia, teve duas
paradas cardíacas, perdera muito sangue, mas os médicos conseguiram com muito
esforço o deixar em um estado estável, mesmo não garantindo nada devido as
poucas chances de vida. Esteve muito tempo entre a vida e a morte, neste lado da
vida não havia muitas justificativas para que continuasse vivo, ponderava muito
sobre o que tinha feito ao longo do tempo, sua recuperação estava sendo muito
lenta, mas progredia a cada dia, sua espôsa muito pouco aparecia para vê-lo,
pois queria que tivesse morrido, quem mais aparecia era seus irmãos e seus
pais.
Bem agora vamos a conclusão do fato, pois Diogenes
conseguira sair com vida desta, embora um pouco desiludido, aquele desejo
desenfreado por sucesso financeiro se apagara, ficara com poucos bens mas isto
estava bem para ele, conseguira se aposentar pelas sequelas que lhe ficaram,
ficou vivendo a vida assim como ela anda, e em certa ocasião arrumara uma
namorada e viviam bem a algum tempo, apesar de não viverem juntos na mesma casa
se encontravam seguido e ela ficava algum tempo em sua casa.
Um certo dia ela lhe convidou a ir em baile que se
daria no próximo sábado, ele relutou um pouco até que acabou convencido e acitoi
ir. E é neste ponto que as coisas começam a ficar intrigante pois as amigas de
Jandira a tentavam persuadir a ir no mesmo baile. Jandira que fazia muito tempo
que não sabia o que era se divertir, desde quando namorava com Dário que não ia
a um baile, depois casou vieram os filhos, a doença do marido, aquele tempo de
luto e reflexão, pois seu sentimento era verdadeiro, gostava realmente de Dário,
não achava justo, mas suas amigas tanto insistiram que jandira aceitou ir com a
condição de só acompanha-las e assistir.
Então lá pelas tantas, Diogenes dançando com sua
companheira de pouco tempo, um pouco empolgado com o barulho e a animação passa
pela mesa onde se encontrava Jandira, lhe olha de cima abaixo, lhe fixa os olhos
nos olhos, chega até ela e lhe diz: “Por onde andavas que lhe procurei por tanto
tampo e não te encontrava.” Jandira não compreende e ele vai adiante com o
dialogo, pois não estava querendo perder aquela oportunidade de conhecer melhor
Jandira; ela meio que acabrunhada lhe diz que só viera acompanhar as amigas,
pois ainda se sentia de luto, perdera seu esposo e não conseguia se desvencilhar
da lembrança do amor que tinham vivido. Diogenes compreende e lhe diz que quer
ser seu amigo, que sabe que gosta dela e que espera o tempo que for preciso.
Retorna a sua companheira, lhe conta do acontecido, que tinha encontrado o amor
de sua vida, que não queria a enganar e que daquele momento em diante se
considerasse sem compromissos com ele, ela relutou um pouco mas acabou
entendendo seus argumentos; Diogenes voltou a mesa de Jandira pediu para ficar
só conversando com ela, o que fizeram até o amanhecer, e ao irem embora pediu
que se encontrassem de novo, ao que ele acedeu.
Passou-se o tempo e Jandira que também desde o inicio
sentia que parecia que o conhecia a tempo, embora não soubesse de onde, começou
o gostar de Diogenes também, passou-se mais algum tempo e resolveram morar
junto, o casamento não era interessante a eles pois ele estava aposentado e ele
também, na questão de casar isto poderia mudar.
Então certo dia através de minha irmã resolveram me
procurar, contaram-me toda sua história, queriam entender o porque de todo
acontecido, o porque da sensação que ele tinha que a cada dia ele se tornava
mais parecido em tudo com seu falecido marido, e ele queria entender também a
lógica de tudo, se sentia tão bem com ela, gostava de ouvir sobre seu falecido
marido, não tinha ciúmes dela, começara a ter a sensação dele ser como alguém
muito querido de sua família, um irmão, um filho, um tio. Eu os ouvi bastante,
questionei sobre suas vidas, como tinham vivido antes de se conhecerem, como
estava suas vidas agora, como se sentiam em relação um ao outro, até que suas
respostas os colocaram frente a frente com suas realidades e entendendo o que a
vida queria lhes proporcionar, pois os acontecimento se dão de acordo com a
necessidade de nosso aprendizado, e tudo acontece no tempo certo, quando temos
condições de compreender o que está acontecendo, quando estamos prontos para
interpretar a pagina do dia do “LIVRO DA VIDA.”
LEVI