Sai de minha cidade natal para
trabalhar fora e fui morar com uma tia minha, eles tinham 4 filhos,
dois casados e dois solteiros, dos casados o mais velho era
caminhoneiro, e o outro eletricista.
Pois bem, este que era eletricista e
se chamava Tarso tinha uma esposa muito solicita e um filho muito
educado, mas em compensação Tarso era um verdadeiro Don Juan,
trabalhar que era bem bom não gostava, arrumava em emprego só para
formalidades, fazia amizade rápido com seus superiores e ficava só
na bajulação, mais faltava o serviço do que trabalhava. Mas como
tinha uma boa pinta e um bom papo, arrumava mulheres com muita
facilidade e tinha a lábia de as cativar, falando mais abertamente
ele arrumava mulheres para por a trabalhar para ele em boates, e elas
tinham que dar dinheiro a ele, um verdadeiro cafetão, chegou a ter
mais de 5 mulheres trabalhando para ele, e em lugares diferentes, sem
que elas soubessem uma da outra, e nem sua esposa desconfiava de
nada, pois dizia que ia trabalhar e que tinha que ficar até tarde no
serviço.
Mas o fato que quero narrar não é o
diário de meu primo, mas um fato que ocorreu e que fui testemunha.
Uma destas mulheres praticava uma destas linhas afro-religiosa, e fez
um trabalho contra ele com a Pomba-Gira, pois a tinha deixado depois
de explora-la muito, porque ela não estava dando o retorno
financeiro acostumado. Como ele praticava vários hábitos negativos,
como traição da esposa, beber demais, jogo de cartas e a questão
do desregramento sexual levado a uma condição deplorável começou
a incorporar a Pomba-Gira. O fato ocorria após a ingestão de uma
certa quantidade de bebidas alcóolicas, independendo da hora e do
lugar, seus amigos de esbornia o levava para casa de seus pais, para
que sua esposa não tivesse conhecimento, e quando se recuperava e se
encontrava vestido de mulher, com as roupas das meninas das boates
onde se encontrava, dizia que foram seus pais que colocava nele para
que ele deixasse a vida que levava, não acreditava de jeito nenhum
que estivera incorporado. E isto foi acontecendo com mais frequência,
até que um dia pude presenciar, na época era muito jovem e nunca
tinha visto uma pessoa incorporada.
Pois bem, era uma segunda-feira,
tinha trabalhado o dia todo, e como o local de trabalho era longe
cheguei em casa ás 19:45, abri a porta e uma senhora de
aproximadamente 70 anos que portava um incensório e fazia círculos
me olhou e disse “- entra rápido, fecha a porta e te encosta na
parede”.
Fiquei espantado com o que via, meu primo
pintado e vestido como uma prostituta, uma blusinha cor de rosa bem
curtinha e uma mini-saia branca, pulseiras e brincos destas
bijuterias baratas, falando e gritando com uma voz de mulher e com um
palavrear bem reles.
Enquanto aquela senhora andava em
círculos no centro da cozinha, balançando um incensário e fazendo
orações meu tio e os dois primos solteiros que estavam em casa
faziam muita força para segurar o que estava incorporado, quebraram
uma cama em um quarto, sofás de vime na sala e arrancaram uma porta
interna de madeira, a casa era grande e de madeira e ao se chocarem
na parede parece que estremecia toda a casa, e eu encostado ali, na
parede da cozinha ao lado da porta, olhos bem abertos presenciando
tudo, não sei dizer agora se sentia medo, mas que não me movia e
observava tudo isso sim.
Passados uns 10 minutos Tarso
consegue escapar e se direciona a idosa senhora, meu tio grita, "- Vamos
segurar que ele vai machucar a vovó", ao que ela então diz “- Pode
deixar que ele não pode chegar até mim.” A cena que se desenrola
neste momento me deixa todo arrepiado, e até hoje quando lembro ou
narro o caso a alguém me corre uma arrepio da cabeça aos pés e
sinto o aroma do incenso no ar. As portas e as janelas todas
fechadas, aquele forte aroma de incenso, aquela fumaça do incenso
que tinha se espalhado de um modo uniforme pelo ambiente, aquela
velha senhora no centro da cozinha com um incensário na mão, que
tinha andado parece que desenhando um circulo no chão, eu, meu tio,
minha tia e meus dois primos como que formando um circulo em volta
daqueles dois, um ambiente realmente de dar arrepios. Quando a
senhora disse “- Pode deixar que ele não pode chegar até mim.”
aquela voz respondeu “- Agora tu vai ver sua velha safada”. Ele
se joga contra ela mas quando chega perto dela a 1 metro de distância mais ou
menos parece que esbarra em algo, da um urro e seus braços se
esticam para traz como se alguém estivesse segurando com muita
força, e aparecia até sulcos em seus punhos dando a impressão que mãos
fortes o estavam segurando, ele se inclinava para frente fazendo
força e seus pés derrapavam para traz no assoalho e ele não
conseguia chegar até a dita senhora.
O dialogo que se desenrola entre os
dois mais parece um desses filmes de exorcismo. Após dirigir varias
palavras de de baixo escalão, tentando intimidar e amedrontar a
senhora que ouvia pacientemente ela lhe pergunta;
O que queres deste rapaz?
Ele me pertence.
Como te pertence?
Ele me foi entregue como pagamento para
mim.
Quem te entregou e porque?
Foi fulana, ele era amante dela,
usou bem dela e quando ela não mais servia ele trocou por outra; ai
ela me chamou e pediu que acabasse com ele, e que poderia ficar com
ele para mim.
Olha, eu fui chamada para livrar
este rapaz da tua ação, esta mãe e este pai estão sofrendo muito
e eu vou ajuda-los portanto, te digo vai embora e não atormentes
mais este rapaz.
Nunca!, ele me pertence agora, ele
não tem força para que eu me afaste dele, e vou levar ele comigo,
mais hoje, mais amanhã!
Ela balança o incensário no rosto
de meu primo, pega um bastão que tinha uma bola cheia de furinhos,
mergulha em uma tigela que continha água e várias folhas de formatos
diferentes dentro, e sacode em sua direção balbuciando palavras que
não consegui ouvir, ao que então aquela entidade parece perder as
forças. Então ela diz.
Vá embora e não volte mais!
Eu vou mas volto.
Vá embora e não volte mais, eu já
disse, e ninguém vai abrir a porta pra ti, tu abre a porta, sai
diga adeus, feche a porta e não volte mais!
Hoje você ganhou, eu vou mas volto,
ele é fraco, vai continuar cometendo erros, mais hoje mais amanhã
eu pego ele.
Eu não acreditei que aquilo podia
acontecer, pensei que meu primo incorporado iria se deslocar até a
porta, abri-la, dizer adeus e fecha-la. Mas não foi isto que
aconteceu.
Deu um estalido ensurdecedor dentro
de casa, parece que tremeu toda, a sensação de uma ventania gelada,
a porta da frente que a velha senhora tinha apontado para que a
entidade saísse tinha uma fechadura, dessas que o corpo fica externa
por dentro, com uma maçaneta tipo alavanca, e a fechadura da chave
com ranhuras dentadas do formato da chave, a chave estava na posição
de fechada, achei impossível que a porta se abrisse sem que meu
primo se deslocasse até a porta girasse a chave, acionasse a
maçaneta tipo alavanca, e a abrisse, mas para espanto meu não foi
isto que aconteceu.
Após aquele estalido, aquela
ventania, meu primo caiu no chão, olhei para a porta e deu para ver
a chave girar sozinha, a maçaneta abaixar sozinha, a porta abrir
sozinha e uma voz retumbou na sala “- Eu vou mas volto, ele me
pertence; até breve!”. A porta bateu com tanta força ao fechar,
que em pouco tempo vizinhos estavam querendo saber se tinha
acontecido algo grave.
Meu primo levantou do chão, olhou
para todos, perguntou; “- Que palhaçada é esta.”, então... vocês
me doparam e criaram toda esta encenação para tentar me modificar,
vocês acham que eu sou bobo, quem é esta velha que se prestou para
tudo isto.
Ele entrou no banheiro, tomou um banho, colocou roupas do
meu tio, pois sua casa era longe, saiu e disse “- Depois mando
entregar as roupas, tão cedo não piso aqui.”
Os ataques de possessão como este
calmaram, mas sua vida entrou de mal a pior, foi pego e apanhou de
marginais, esteve preso varias vezes, não precisa nem dizer que sua
esposa o deixou em pouco tempo após o acontecido, ele vive hoje em casas de
mulheres que arruma por ai, e isto por pouco tempo porque elas logo o
colocam a correr.
Este acontecido faz mais de 35 anos,
e faz em torno de 30 anos que não o vejo, ouço somente comentários de como
está sua vida.
O fato relatado tem servido de lição
para mim ao longo de minha vida.
Somos consequencia do que pensamos e
de nossos atos.
Devemos sempre escolher nossas
companhias.
Não devemos infringir a dor e o
sofrimento as outras pessoas.
Não devemos mentir nem ludibriar.
Porque quanto mais agirmos de forma
errada, mais atrairemos forças negativas que irão por abaixo nossa
existência.
O que aqui narrei, não tem cunho
religioso, pois ninguém desta família frequentava Religiões de
cunho Espirita, nem se pretende provar nada a ninguém, somente
contar um fato real que temos que concordar; está fora do que se pode
considerar como normal...., mas faz pensar.