O egoismo nos dias de hoje
toca a cada um de nós de maneira mais intensa, e é difícil
encontrar aquele coração que esteja livre totalmente dessa "chaga
que corrói a humanidade".
O egoísmo cega aquele que o
possui e o que para ele, o egoísta, é natural para aqueles que com
ele convivem muitas vezes é fator de infelicidade.
Conviver com alguém que
tenha todos os seus objetivos voltados para si mesmo é algo bem
doloroso. Diga quem tenha em sua família, dentro da sua área
profissional, ou da sua esfera de relação social um coração
bastante egoísta. Ele será aquele que sempre tentará fazer com que
os fatos e as pessoas girem em torno de si, independente de quem
venha magoar.
Algumas vezes, essa pessoa
não se dá conta, sendo necessário que alguém, junto a ela, a
ajude a perceber o que ela faz. Quando existe nela um desejo sincero
de modificação, ela até irá refletir e, por si mesmo, avaliar
suas atitudes procurando uma mudança de atitude. Mas, se esta pessoa
traz em si o sentimento de egoísmo muito arraigado, dificilmente
aceitará a opinião de qualquer pessoa, ainda que seja uma pessoa
querida.
O egoísta sofre, de uma
certa forma, com as suas próprias ações, mas, geralmente, coloca a
culpa deste sofrimento nas pessoas que com ele convivem e que não
compreendem suas intenções que, para ele, são as melhores
possíveis.
No dizer dos guias
espirituais, os homens de fé e perseverantes no bem estão
encarregados de extirpar do coração humano este sentimento. Mas
como combatê-lo se temos dificuldade de perceber quando estamos
sendo egoístas?
Vamos lembrar que Jesus já
nos ensinava que "Não devemos fazer com os outros o que não
gostaríamos que fizessem conosco".
Raciocinando e sentindo
assim, seria bem mais fácil observarmos quando estaríamos sendo
egoístas, mas o egoísta se esquece de três leis importantes da
natureza:
A Lei de Sociedade; a Lei de
Liberdade e a Lei do Progresso.
Ele está esquecendo a Lei
de Sociedade quando, na busca incessante de viver o "melhor"
para si, muitas vezes deixa de dividir sentimentos, aprendizados e
até coisas materiais com o próximo. Ele tem dificuldade de perceber
que pode, e deve, porque está na Lei de Deus, dividir tudo que tenha
com o seu próximo. Dividir seu tempo, seus sentimentos, seu saber,
tudo.
Relembrando a Parábola dos
Talentos, o servo que ficou com o talento enterrado foi mandado para
as trevas onde haveria prantos e ranger de dentes.
Podemos interpretar o
egoísta como sendo alguém que encerra todas as suas possibilidades
e, mais tarde, quando mais amadurecido, percebe o que deixou de
viver, sente-se como o servo da parábola citada.
Sabemos que é necessário
mais coragem para vencer a nós mesmos do que vencer os outros, mas
precisamos reunir esforços para combater dentro de nós esse monstro
devorador de todas as inteligências, esse filho do orgulho que é a
fonte de todas as misérias.
O egoísta infringe a Lei de
Liberdade quando estando junto a outra pessoa, procura sempre ocupar
o seu "espaço" sem deixar que ninguém usufrua qualquer
coisa desse mesmo espaço. Podemos representar esse "espaço"
como tudo que essa pessoa tenha, ainda que sejam coisas que,
naturalmente, possam ser divididas.
Uma outra face desse
desrespeito a Lei de Liberdade é quando o egoísta pensa que pode
ouvir o som na altura que desejar, usar um veículo da maneira que
melhor lhe apraz, desrespeitando as regras de trânsito e sociais.
Quando, na convivência em
ambientes coletivos tenta, desrespeitosamente, passar sempre a frente
de outro, não respeitando os direitos dos demais.
E ele também infringe a Lei
do Progresso quando não procura o caminho para a sua melhora ou
ajudar o progresso de outro pois, que agindo egoisticamente, está
negando a caridade e, conseqüentemente, colocando obstáculos ao
progresso.
Todo ser humano busca a
felicidade.
Para ele o, egoísta, a
felicidade é ver seus desejos satifeitos.
Mais adiante, algumas vezes,
até abandonado pela própria família ele pode perceber que não
construiu felicidade alguma.
Isso pode dar-se quando
ainda se encontra encarnado quando terá a oportunidade, se assim
desejar, de modificar as suas atitudes, mas é lamentável quando
este despertamento acontece no mundo espiritual.
Relembrando André Luiz que
ficou oito anos no Umbral e, ele próprio, narra em seus livros que
foi um homem que na Terra viveu exclusivamente para si, apesar da
aparência de bem atender a família e a sociedade. Como
conseqüência, durante esses oito anos, ele não via ninguém a sua
volta no mundo espiritual. Resultado de uma vida voltada somente para
si.
Vamos lembrar que, no texto
de hoje, Emanuel traz a figura de Pilatos que lava as suas mãos
dizendo: "Que me importa" Esse é o pensamento do egoísta.
Nesse momento, ele deixa que
Jesus seja julgado pela multidão, fugindo à sua responsabilidade
como representante do poder romano, perante a sociedade da época.
Jesus nos deu, nesse
momento, o Exemplo da caridade, aceitando com resignação as
conseqüências deste ato.
Relembrando, cabe aos homens
de fé e perseverantes no bem, com seus esforços, trabalhar seus
exemplos para que, ainda que pôr disciplina, saibam dar exemplos
vivos de altruísmo.
A sociedade atual muito
necessita desses exemplos, para que as criaturas sintam-se
fortalecidas na fé que trazem em Deus.
Muitas vezes um pequenino
exemplo toca muitos corações e refortalece a fé naqueles nos quais
a fé se encontra enfraquecida.
Emmanuel encerra o item
dizendo-nos: "Expulsai o egoísmo da Terra para que ela possa
subir na escala dos mundos, porque é chegado o tempo em que a
humanidade deve vestir o seu traje viril e, para isso, é preciso em
primeiro lugar, expulsar o egoísmo dos vossos corações.”
Todos nós temos certeza que
com a ajuda dos benfeitores espirituais, aquele que, sinceramente,
desejar poderá, pouco a pouco, vencer o seu egoísmo.
Encerramos
o nosso comentário, relembrando o conselho dado por Santo Agostinho,
na questão 918 do Livro dos Espíritos, onde este amoroso espírito
nos convida a nos auto-questionarmos todas as noites se alguém tem
algo contra nós.